Merecidamente celebrado como o mês de
Maria, maio é saudado pelas delicadas e coloridas pétalas
das populares “flores-de-maio”, originárias do Brasil,
simples e surpreendentemente formosas, mais ainda se
as considerarmos inflorescência de uma espécie de cacto
sem espinhos.
Na liturgia, ao menos uma parte do mês de
maio sempre coincide com a celebração litúrgica do tempo
da Páscoa, quando celebramos de modo intenso a
Vida que irrompeu vitoriosa e imortal, de onde a secura
da morte parecia invencível.
As flores do aleluia pascal enfeitam nossas liturgias
e celebrações; as mais que centenárias recitações de
novenas marianas e rosários em honra da Mãe de Deus
multiplicam-se nas casas católicas e servem de exercício
da missão cristã, que nos foi confiada pelo próprio Senhor
Jesus: “Eu vos designei para que vades e deis muito
fruto e o vosso fruto permaneça”. (Jo 15,16) A Palavra
de Deus presente nessas práticas devocionais continua
seu caminho como chuva que lava e como fogo que abrasa,
formando pequenas comunidades de fé, com Maria,
a Mãe de Jesus, a Sarça Ardente, que sem se consumir
torna-se morada do Vivo e Eterno. Ela é a flor bendita,
a surpresa de Deus no meio do deserto do mundo; seu
Filho Jesus é o fruto bendito e por ele nós todos somos
cumulados de uma profusão de bênçãos.
“Eu sou a Mãe do belo amor” (Eclo 24,24). A
tradição cristã aplica a Maria essa expressão sapiencial,
pois que o Senhor é o Amado da humanidade, que desce
ao jardim de sua amada e a faz conhecer seu amor.
Junto à Cruz do Senhor, Maria nos é dada por
Mãe; ela que nas alegrias de Caná da Galiléia nos ordena
ouvir a voz de seu Filho Amado. Ela mesma já abrira
a terra fértil de seu coração ao orvalho do Espírito, tornando-
se casa viva de Deus entre os homens e, por conseqüência,
missionária da vida e da esperança, quando,
ao visitar Isabel como que prefigurava a missão cristã:
levar a Cristo e servir por amor. Nada mais natural que
aquele Lírio Imaculado, tinto pelo sangue de seu Filho,
salva por antecipação pelos méritos dele, também pudesse
alegrar-se com a sua ressurreição e abençoasse os
apóstolos, primeiros missionários cristãos, nos inícios da
Igreja, acompanhando-nos também hoje como exemplo
mais perfeito de discipulado e missão.
Como mãe solícita e membro proeminente da
Igreja, Maria é também seu tipo, isto é, seu modelo de
escuta, silêncio, obediência, oração, fé, missão, serviço,
trabalho, humildade, fortaleza.
Por um carinho da Divina Providência, a festa
da visitação de Maria a Isabel encerra o mês (31/05), em
que ainda se celebram as festas marianas de Nossa Senhora
de Fátima (13/05) e da Auxiliadora dos Cristãos (24
de maio).
Neste ano, maio ainda foi marcado pela canonização
de dois papas: São João XXIII e São João Paulo
II. Aquele abriu o Concílio Ecumênico Vaticano II sob a
égide da Mãe de Deus, em 11 de outubro de 1962, na
feliz recordação do primeiro e mais importante dogma
mariano definido pelo Concílio de Éfeso (431), que proclamou
a Cristo como verdadeiro Deus e Homem e, por
isso mesmo, Maria como Mãe de Deus. Por sua vez, São
João Paulo II expressa em seu próprio lema pontifício
“Totus Tuus” (Todo Teu) a aceitação do precioso presente
de Cristo Crucificado à sua Igreja nascente: Mulher, eis
teu filho. Eis tua Mãe. E daquela hora em diante, o discípulo
a levou consigo. (cfr Jo 19, 26-27)
Sim, tudo em Maria refere-se a Cristo, como a
lua, embora formosa e bela, em tudo depende do sol.
De semelhante modo a Igreja, revestida de sol, deve dar
testemunho luminoso de Cristo, Luz do Mundo.
1Nessa época, a Festa da Mãe de Deus ocorria em 11 de outubro.
Padre Antonio Bosco da Silva
Pároco da Cateral
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