quinta-feira, 8 de maio de 2014

As flores de Maio

Merecidamente celebrado como o mês de

Maria, maio é saudado pelas delicadas e coloridas pétalas



das populares “flores-de-maio”, originárias do Brasil,

simples e surpreendentemente formosas, mais ainda se

as considerarmos inflorescência de uma espécie de cacto

sem espinhos.

Na liturgia, ao menos uma parte do mês de

maio sempre coincide com a celebração litúrgica do tempo

da Páscoa, quando celebramos de modo intenso a

Vida que irrompeu vitoriosa e imortal, de onde a secura

da morte parecia invencível.

As flores do aleluia pascal enfeitam nossas liturgias

e celebrações; as mais que centenárias recitações de

novenas marianas e rosários em honra da Mãe de Deus

multiplicam-se nas casas católicas e servem de exercício

da missão cristã, que nos foi confiada pelo próprio Senhor

Jesus: “Eu vos designei para que vades e deis muito

fruto e o vosso fruto permaneça”. (Jo 15,16) A Palavra

de Deus presente nessas práticas devocionais continua

seu caminho como chuva que lava e como fogo que abrasa,

formando pequenas comunidades de fé, com Maria,

a Mãe de Jesus, a Sarça Ardente, que sem se consumir

torna-se morada do Vivo e Eterno. Ela é a flor bendita,

a surpresa de Deus no meio do deserto do mundo; seu

Filho Jesus é o fruto bendito e por ele nós todos somos

cumulados de uma profusão de bênçãos.

“Eu sou a Mãe do belo amor” (Eclo 24,24). A

tradição cristã aplica a Maria essa expressão sapiencial,

pois que o Senhor é o Amado da humanidade, que desce

ao jardim de sua amada e a faz conhecer seu amor.

Junto à Cruz do Senhor, Maria nos é dada por

Mãe; ela que nas alegrias de Caná da Galiléia nos ordena

ouvir a voz de seu Filho Amado. Ela mesma já abrira

a terra fértil de seu coração ao orvalho do Espírito, tornando-

se casa viva de Deus entre os homens e, por conseqüência,

missionária da vida e da esperança, quando,

ao visitar Isabel como que prefigurava a missão cristã:

levar a Cristo e servir por amor. Nada mais natural que

aquele Lírio Imaculado, tinto pelo sangue de seu Filho,

salva por antecipação pelos méritos dele, também pudesse

alegrar-se com a sua ressurreição e abençoasse os

apóstolos, primeiros missionários cristãos, nos inícios da

Igreja, acompanhando-nos também hoje como exemplo

mais perfeito de discipulado e missão.

Como mãe solícita e membro proeminente da

Igreja, Maria é também seu tipo, isto é, seu modelo de

escuta, silêncio, obediência, oração, fé, missão, serviço,

trabalho, humildade, fortaleza.

Por um carinho da Divina Providência, a festa

da visitação de Maria a Isabel encerra o mês (31/05), em

que ainda se celebram as festas marianas de Nossa Senhora

de Fátima (13/05) e da Auxiliadora dos Cristãos (24

de maio).

Neste ano, maio ainda foi marcado pela canonização



de dois papas: São João XXIII e São João Paulo

II. Aquele abriu o Concílio Ecumênico Vaticano II sob a

égide da Mãe de Deus, em 11 de outubro de 1962, na

feliz recordação do primeiro e mais importante dogma

mariano definido pelo Concílio de Éfeso (431), que proclamou

a Cristo como verdadeiro Deus e Homem e, por

isso mesmo, Maria como Mãe de Deus. Por sua vez, São

João Paulo II expressa em seu próprio lema pontifício

“Totus Tuus” (Todo Teu) a aceitação do precioso presente

de Cristo Crucificado à sua Igreja nascente: Mulher, eis

teu filho. Eis tua Mãe. E daquela hora em diante, o discípulo

a levou consigo. (cfr Jo 19, 26-27)

Sim, tudo em Maria refere-se a Cristo, como a

lua, embora formosa e bela, em tudo depende do sol.

De semelhante modo a Igreja, revestida de sol, deve dar

testemunho luminoso de Cristo, Luz do Mundo.

1Nessa época, a Festa da Mãe de Deus ocorria em 11 de outubro.




Padre Antonio Bosco da Silva

Pároco da Cateral



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